quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013


EaD - Estratégias para Motivar:  algumas considerações


(Laila de Mauro Santos – agosto/2011)

 Sabemos que em Educação a Distância a tecnologia diminui a distância física, por isso mesmo precisa ser bem utilizada, especialmente em cursos via internet, para que o aluno, mesmo sozinho em frente ao computador, não se sinta solitário, mas pertencente a um grupo, que se pressupõe solidário.
 
Nessa perspectiva, é papel do tutor motivar o aluno a participar do curso, buscando sua inclusão à dinâmica do processo educativo. No entanto, visto que a motivação é algo intrínseco, como realmente motivar esse aluno? Diante de tal questão, vale analisar as palavras de Melo, a seguir:
 
...a motivação é inerente a cada ser humano, e que quando estimulado, ele pode ativar esta motivação, e neste contexto se destaca a função do tutor. O tutor tem papel importantíssimo no processo de aprendizagem, na crescente ampliação de cursos na modalidade EAD, diante dos recursos tecnológicos disponíveis. (2009, p.01)
 
Não é difícil observar que, diante de determinado estímulo, cada aluno ou grupo tende a reagir de forma diferenciada. Dessa forma, o tutor deve considerar a heterogeneidade de sua turma e utilizar estratégias diversificadas de estímulo à motivação, para oportunizar o atendimento às individualidades. E atentar, também, para a questão das emoções, que é inerente a todo ser humano e interfere diretamente em suas reações, frente a uma ou mais ações. Nesse sentido, voltamos à autora citada, acima:
 
Embora não tenha abordado o ensino a partir da Educação a Distância Paulo Freire (2006) pressupõe que é necessário estimular a curiosidade epistemológica do educando sem deixar de reconhecer o valor das emoções, da sensibilidade, da afetividade. Assim, a figura do tutor, vem restabelecer emoções, sentimentos, compreensão, respeito. Em cada carteira escolar há um ser humano que espera ser ouvido e atendido no momento de dúvida e desmotivação. Acreditamos que ao aplicarmos os princípios da motivação em muito estaremos contribuindo para com a aprendizagem do cursista. (MELO, 2009, p. 02) 
Considerando que nas nossas turmas de EaD, nas mais diversas cidades de nosso imenso Brasil (e até do exterior), diante de cada computador há um aluno que deseja ser “ouvido e atendido”, “motivado a se apresentar e a se sentir pertencente ao grupo”, quais seriam as melhores estratégias para atendê-lo, seguindo os “princípios da motivação”?
 
Não parece possível indicar essa ou aquela estratégia, mas apontar exemplos a serem aplicados, ou adaptados e até recriados. Nesse sentido, podemos resgatar, sintetizar e socializar, aqui, reflexões inseridas em nossa “Comunidade de Tutores”[1], que apontam alguns caminhos.
Vimos que a motivação e afetividade andam juntas durante o processo ensinoaprendizagem, o que traz a necessidade de se estabelecer relações bem próximas ao aluno e de o tutor trabalhar sua sensibilidade para reconhecer o momento de estimulá-lo e buscar a estratégia apropriada, entre outras: mensagens personalizadas, nas quais o aluno possa perceber a preocupação do tutor com seu desenvolvimento e se sentir reconhecido como ser único e capaz; desafios e prêmios como estímulo para continuar o curso; intervenções com fundamentações que possam subsidiar e incentivar a participação criativa, crítica e colaborativa no fórum; feedback mais imediato às colocações e questionamentos dos alunos; comunicações agradáveis e de fácil compreensão; mensagens motivacionais contextualizadas e na quantidade adequada; dinamização de espaços de descontração, com interações mais espontâneas; mediação pedagógica dialógica, voltada para construções significativas de saberes, possibilitando correlações entre teoria e prática, com situações que instiguem a curiosidade e interesse pelo conteúdo.
E, ao escolher uma estratégia, é interessante observar que, ao lidar com um grupo, seja presencial ou virtual, o encontro com o(s) outro(s) pode trazer muitas surpresas, desde o estranhamento à empatia entre os sujeitos envolvidos. Compreender tal situação vai facilitar a busca de uma dinâmica que favoreça melhor integração, que segundo Caricatti e Guimarães:
Ela se estabelece e se desenvolve com o diálogo entre os pares diferenciados e com a alternância de papéis entre os participantes que ora se manifestam, ora se calam, estabelecendo contrapontos de presenças e ausências, silêncios e falas, dúvidas e certezas, alegrias e conflitos que vão construindo uma identidade coletiva muito peculiar, inconfundível e singularizada pelo estilo de comunicação adotado, pela forma de agir nas situações diversas, pelas marcas e expressões que refletem a presença do outro no entrecruzar de histórias pessoais e profissionais (2004, p. 96)
A interação on-line se dá basicamente por meio da comunicação escrita, logo, as “marcas e expressões” que espelham a realidade podem ser percebidas nas entrelinhas das mensagens e o começo dessa comunicação se mostra especial, pois pode favorecer maior ou menor participação e integração, no decorrer do curso. Como começar?
Naturalmente, começamos pela porta principal, a porta de entrada, caracterizada pelo estímulo à apresentação e acolhimento. Ao acolher o aluno de forma imediata, com mensagens personalizadas e afetivas, o tutor facilita a aproximação, demonstra interesse e atenção a ele, possibilitando o início da construção da autoconfiança e autonomia, base para que se sinta valorizado, confiante, incluído, mais a vontade e motivado a participar, continuar e concluir o curso.
Além da porta de entrada, a tecnologia oportuniza a abertura de muitas portas de comunicação e, por conseguinte, de aprendizagens, de encontros que minimizam a ausência do contato físico, da aula tradicional. E como identificar e usar essas portas? O tutor vai descobrindo, aos poucos, nas interações diárias e análises dos contrapontos entre manifestações, silêncios, interesses individuais e coletivos. O que faz emergir a necessidade da formação continuada, de pesquisa da própria prática e experimento de possibilidades de articulações entre o conteúdo, a pedagogia e os recursos tecnológicos.
 
REFERÊNCIAS
CARICATTI, Anna Maria C.; GUIMARÃES, Laura de Toledo. Revisitando o Grupo. In: SCARPATO, Marta (org). Os Procedimentos de Ensino fazem a Aula acontecer. São Paulo: Avercamp, 2004.
MELO, Marineiva de. Educação a Distância e Motivação: re(significando) o papel do tutor. Disponível em blogs. universia.com.br/motivacaonaead/.../educacao-a dist...Em cache Similares1jun. 2009 – acesso em 28/06/2011.


[1] “Comunidade de Tutores” da empresa Webaula - ano: 2011

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